Seguindo nossa viagem pela maravilhosa cidade de João Pessoa, no dia seguinte acordamos “relativamente cedo”, pensando que chegamos no meio da madrugada ao hotel. Tomamos um café da manhã fantástico! Tudo muito bem feito e muito gostoso! Mas o dia precisava ser aproveitado... E saímos para “bater perna” pela cidade!
Com um mapa impresso por Mari e outro que pegamos no hotel, saímos para conhecer as redondezas do bairro de Tambaú, pertinho do hotel onde estávamos e que reservava ótimas surpresas. Passamos por um centro de turismo e abastecemos a bolsa de Mari com mais mapas e dicas de bares, restaurantes etc. A cidade é extremamente limpa, sem comparação com São Paulo, Salvador ou qualquer outra capital que eu já tenha conhecido (Aracajú fica bem perto, mas ainda sim JP ganha no quesito limpeza...). E nossos primeiros passos para explorar João Pessoa se deram com certo espanto, porém recheado de alegria e satisfação: ao parar em frente à faixa para atravessar os carros param para que você atravesse. O que deveria ser algo natural e comum se torna espantoso, visto o trânsito caótico e desrespeitoso de São Paulo e Salvador (as capitais das quais posso falar com mais propriedade).
Através dos mapas, chegamos ao MAP – Mercado de Artesanato da Paraíba (foto), onde pudemos observar diferentes produções artísticas e culinárias da Paraíba, desde lembrancinhas simples a cachaças muito bem elaboradas. Agora que sabíamos onde era o MAP, poderíamos voltar ali antes de ir embora para Salvador. Tivemos a ideia então de conhecer o Centro Histórico, já que o tempo não estava dos melhores e a praia não seria uma boa opção naquele momento. Pegamos um taxi com Sandro, um figura que é de Recife, mas mora em João Pessoa há 12 anos, e diz que não se muda de lá por nada (confesso que eu também não me mudaria...).
Ele nos deixou na Estação Ferroviária, com seu prédio histórico ainda em funcionamento. A região já não é das mais “abonadas”, tudo muito deserto por conta do feriado, mas nossa caminhada era necessária. Precisávamos explorar ao máximo a capital paraibana. Andando pelas ruas do centro histórico, pudemos perceber que ainda é preciso um cuidado maior com o patrimônio histórico da cidade, mas isso é fato em todo o Brasil. O prédio da Associação Comercial, a antiga Fábrica de Gasosas Tito Silva, os bares, restaurantes, tudo bem colorido e chamativo (foto).
Fomos até o Hotel Globo, hoje desativado e transformado em museu. Em sua época de funcionamento, era reduto de intelectuais e ativistas políticos. Do fundo do hotel uma bela vista do rio Sanhauá (foto), que posteriormente desagua no rio Paraíba. Continuamos a caminhada tendo como destino outros pontos turísticos da cidade. O primeiro deles foi a Casa da Pólvora, usado pelos portugueses para guardar armamento no período colonial. Subindo uma grande ladeira chegamos à igreja São Francisco, com sua bela arquitetura externa (foto). A interna deve ser linda também, mas não conseguimos conhecer. Ela estava fechada por conta do feriado. Em frente à igreja, havia um grupo de turistas gringos que esqueceram o protetor solar e pareciam porquinhos rosadinhos... rs.. E o tempo nem estava de sol forte!
Bem perto da igreja localiza-se a Academia Paraibana de Letras. Sabendo da grande influência de nomes como Ariano Suassuna e Augusto dos Anjos, esta se fazia uma parada obrigatória. Logo na entrada, o vigia do prédio nos recebeu com muita cortesia e educação, explicando tudo sobre a história do prédio, dos integrantes da academia, do acervo histórico, da "namoradeira" beirando a janela do casarão (foto), da sala dedicada exclusivamente a Augusto dos Anjos, do auditório de reuniões com suas bandeiras e mesas cheirando a mofo (foto), dos livros publicados e das visitas das escolas ao prédio (mesmo pedindo uma contribuição singela na hora da saída). Antes ainda da graninha da saída, ganhamos dois exemplares da Revista da Academia Paraibana de Letras! Textos ótimos, o Brasil precisa conhecer os poetas e escritores da Paraíba!
Nos despedimos e prosseguimos o passeio pela cidade, passando pela Igreja Nossa Senhora da Mercês (a matriz da cidade), o Mosteiro de São Bento (toda cidade tem um desses?), a Loja Maçônica Branca Dias, finalizando nosso passeio pelo centro da cidade no Solar de Lucena, aquele belo lago circular cercado de palmeiras imperiais. Decidimos então retornar para as proximidades do hotel e comer alguma coisa. Mas nada de táxi, fomos de “busão”! Gastamos pouco dinheiro e, rapidinho, estávamos em nosso destino! Excelente! Caminhamos pela orla em busca de uma mesinha tranquila e uma boa comida. A orla de João Pessoa é um caso a parte. Bem estruturada, organizada, com quiosques padronizados junto ao calçadão (onde também funciona uma ciclovia), é convite para um bom petisco e uma cerveja geladinha.
Escolhemos um dos quiosques e ao pegar o cardápio... “Quiosque do Gaúcho”! Do Gaúcho?! Bá, tchê... Gaúcho na Paraíba?! Mistérios brasileiros... Pedimos uma isca de peixe, um bolinho de camarão, uma cervejinha gelada, e depois de empanturrados de tanto comer voltamos ao hotel. O descanso se fazia necessário, afinal a caminhada foi grande e precisávamos aguentar firme o segundo dia... Ele prometia...
Prometia e cumpriu!
Aguarde e confie...

